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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Globalização e Pós-Modernidade em Fredric Jameson

Por Victor Costa, comunicação CPFL Cultura

Dia 26 de maio, o Café Filosófico CPFL recebeu em Campinas a visita do norte-americano Fredric Jameson, filósofo e crítico literário. Jameson é um dos mais importantes pensadores da atualidade, seus estudos sobre a pós-modernidade são referência em todo o mundo. De abordagem marxista, seu pensamento articula economia, política, estética e diversas áreas da vida contemporânea. Jameson é, com segurança, o principal nome da reflexão sobre a Globalização.

No Café Especial, Jameson apresentou a palestra Tendências Culturais Contemporâneas. De modo muito informal, em formato de bate-papo guiado pela professora da USP, Dra. Maria Elisa Cevasco, ele apresentou ideias que foram desde as Artes à gastronomia, passando pelo tema das recentes crises econômica e política.

Jameson começou caracterizando a globalização: “a face cultural de nosso momento econômico”, e continuou “a globalização e a pós-modernidade são as duas faces do nosso tempo: pós-modernidade é a esfera cultural e globalização é a esfera econômica”.

Tempo e Espaço

Tempo e espaço são conceitos essenciais na Filosofia. Para Jameson, a pós-modernidade é caracterizada justamente pela re-significação da temporalidade e da espacialidade. Segundo ele, na modernidade coexistem temporalidades plurais. Havia vários tempos. O tempo do campo, onde normalmente se nascia e se viviam os primeiros anos da existência; o tempo da cidade, onde se estudava ou se trabalhava. O tempo do casamento, da velhice, da morte. As pessoas passavam de uma temporalidade a outra. Assim era a vida. O tempo foi marca distintiva da modernidade.
Hoje, na pós-modernidade, o espaço ganha maior relevância que o tempo. A Natureza (caracterizada pelo tempo) deixa de existir e é substituída por aquilo que é feito pela mão do homem (a espacialidade). Não há mais, atualmente, o mesmo tipo de sensibilização de variações do tempo conforme havia antigamente. Agora, temos apenas em nossa volta um espaço construído.

Política

Portanto, a noção de espaço é a marca distintiva da pós-modernidade. Para Jameson, “a política pós-moderna: disputas por causa de terra, enobrecimento das cidades”. Há uma política do espaço.
E a experiência existencial: qual o status do tempo no regime do tempo? “O tempo é reduzido ao presente: ao corpo”. Assim, há o desaparecimento do senso do passado e do futuro. A isso Jameson chamou de “a eterna presentificação do corpo”, que Maria Elisa caracteriza como “eterno presente”.

Arte e Filosofia

Sobre o caos contemporâneo, sobre as angústias resultantes de viver em um eterno presente, Jameson lançou possíveis soluções. No mundo pós-moderno fragmentado, totalizar (dar sentido à vida e às relações com os outros e com o mundo) é um caminho possível. Mas como totalizar, ou seja, achar nexos entre elementos que aparentemente não têm relação alguma (eis o caos contemporâneo)? Aqui Jameson se valeu da arte, ou, para fiel ao autor, da “estética da singularidade”.
Segundo ele, a instalação é a principal forma artística da pós-modernidade. Isso porque a instalação é uma construção de elementos singulares, e de múltiplos sentidos, aparentemente, sem nexos entre si. Dar sentido à relação dos elementos de uma instalação, lançar compreensão sobre o que uma coisa tem a ver com a outra, é totalizar resguardando a singularidade.
Nas Artes, é o artista que produz os sentidos. O objeto do artista não é mais a “obra em si”, mas o sentido que dará à sua obra. Se a noção de temporalidade está dilacerada na pós-modernidade, as obras não podem mais durar para sempre, perdem-se no tempo perene. A arte é efêmera. Em uma instalação, os objetos em uma sala, por exemplo, não têm um estilo definido. Diferentes tipos de objetos juntos não representam um estilo típico do artista. “O estilo não é mais uma consideração na arte pós-moderna”. Não é mais o estilo a expressão da arte, do artista. A instalação é efêmera e está sempre pronta para a mutação, para a (re)significação.
O exercício de significar os objetos de uma instalação é como o exercício de significar – guardada a metáfora – as singularidades do mundo contemporâneo, a fim de encontrar o sentido das coisas, da vida.



Fonte: Café Filosófico CPFL

Sobre o autor: Raul Campani é artista plástico pós-graduado em Gestão Cultural. Flerta com a música, gosta de filosofia, aficionado em genealogia e trabalha como economiário.YouTube|Facebook|Instagram

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