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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Afinidades entre Solar, Matta e Tamayo

Xul Solar, Rocas Lagui, 1933
Uma semelhança visível nestes três artistas é que, em muitos momentos, eles criam em seus trabalhos universos imaginários interiores.

A obra de Xul Solar, dentro da dimensão estreita de seus formatos, se abre ao mundo infinito do imaginário, da cara invisível das coisas, do mais além do presente, descobre as arquiteturas construídas ou naturais do “pais longínquo”. Nesse mundo interior, por tão próximo ao coração, não reina nenhuma desordem, nenhum azar. O imprevisível se converte em evidente. Tudo obedece às leis secretas que regem os planetas como a menor partícula do universo. As figuras se resumem ao seu ornamento, às forças que simbolizam.


Roberto Matta, Sem Título, 1959
Matta desenvolveu vastos panoramas siderais e estudou a vida psíquica, como se explorasse a superfície de um planeta. Depressa surgiram nestes universos crepitantes de faíscas, personagens monstruosas, tentaculares, com garras, tal como insetos gigantes e antropomorfos. Dizia que alguns de seus quadros eram explorações das profundezas do eu. Somos tentados a comparar a sua pintura à ficção científica, a ver nela, combates de extraterrestres e fugitivos na galáxia, mas isso seria uma simplificação demasiado fácil. As figuras das suas telas não habitam necessariamente um universo paralelo; são homens, ou antes, reflexos deformados dos homens no espelho de um inconsciente perturbado, assustado ou agressivo. Matta é um grande pintor cósmico, tentando exprimir a condição humana diante do infinito e não no seio das realidades quotidianas.

Rufino Tamayo, A Grande Galaxia, 1990
Certo momento na obra de Tamayo, também passa a projetar personagens no espaço, onde um impulso ascendente parece elevá-los até os astros do dia e da noite, que os chamam com gestos e gritos. Personagens animados por uma espécie de vibração cósmica, que oferecem seus diversos aspectos, estendidos diante dos outros, que abrem seu coração e suas entranhas. Na realidade, é toda a criação de Tamayo que sofre sua guerra e seu cataclismo. O homem é uma figura desmembrada, enfrentada com os mistérios cósmicos, convertida em presa de forças invisíveis e incontroláveis. Se antes era o centro do universo, agora se vê de repente desesperançado, deslocado, arrebatado por um turbilhão de elementos. Vulnerável, está exposto a todas as agressões. A desesperança e a loucura o espreitam.

Referências:
Catálogo de Las Obras del Museo Xul Solar. Buenos Aires: Fundación Pan Klub, 1990
ALEXANDRIAN, Sarane. Surrealismo. Ed. Verbo
PAZ, Octavio/LASSAIGNE, Jacques. Rufino Tamayo. México, DF. Ed. Pátria S.A., 1994


Esta postagem é continuação de:

Sobre o autor: Raul Campani é artista plástico pós-graduado em Gestão Cultural. Flerta com a música, gosta de filosofia, aficionado em genealogia e trabalha como economiário.YouTube|Facebook|Instagram

Comentários
1 Comentários

Um comentário:

  1. Olá Raul!!!

    Gosto muito da obra de Xul Solar. O novo layout do seu blog ficou melhor assim o anterior era difícil para ler, a visualização da escrita não ficava tão nítida por causa das paisagens.
    Bjs :)

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