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sábado, 21 de julho de 2012

Rufino Tamayo

Três Personagens, 1970
Rufino Tamayo atingiu em sua pintura uma dimensão poética bastante profunda. Nas entonações e recursos expressivos, ela aparece como uma elaborada e interior revivescência do antigo mito, mais acentuadamente nutrida, todavia, pelas experiências da arte moderna.

Tamayo nasceu em Oaxaca, no México, em 1899. De ascendência índia (zapoteca), mudou-se para a cidade do México em 1911 para viver com uma tia sua, após perder os pais. Quatro anos mais tarde começou a tomar aulas de desenho.


Assistiu a Escola de Artes Plásticas (Academia de San Carlos), Cidade do México, entre 1917 e 1921. Foi nomeado diretor do Departamento de Desenhos Etnográficos do Museu Nacional de Arqueologia, Cidade do México. Adiante, se nota a influência, em suas obras, da arte popular mexicana, e pré-colombiana.

Passou dois anos em Nova York, 1926 a 1928, de onde viu a arte européia em museus e galerias. Conheceu a Stuart Davis e viu a exposição de Henri Matisse no Museu de Brooklin em 1928.

De volta ao México deu aulas de pintura na Escola de Artes Plásticas (Academia de San Carlos), entre 1928 e 1929. Como Maria Izquierdo, com quem repartiu estúdio de 1929 a 1934, produziu obras figurativas e natureza mortas, às vezes a base de frutas tropicais, cujos registros cromáticos eram amplos e intensos. Em uma época em que se celebrava a arte comprometida dos muralistas, a sensibilidade modernista de Tamayo, assim como sua estética não utilitária, seu neutralismo político e perspectiva internacional, iam contra corrente. Em 1929 expôs na Galeria de Arte Moderna do Teatro Nacional, Cidade do México. Três anos mais tarde foi nomeado diretor do Departamento de Artes Plásticas da Secretaria de Educação. Em 1933 pintou um mural na Escola Nacional de Música e, em seguida, no Museu de Antropologia da cidade do México. Nestes murais ele desenvolve os temas da história pátria em uma interpretação de atmosfera alucinante, na qual formas e cores inquietantes se agitam, distendem-se em luminosa matéria de pesadelo, alcançando os tons mais secretos, fusões profundas das figuras no enigmático grito extinto do colorido.

Voltou a Nova York em 1936 como delegado da liga de Escritores e Artistas Revolucionários no Congresso de Artistas Americanos. Ficou nos Estados Unidos uns doze anos, dando aula na Dalton School, de 1938 a 1947. A exposição de Picasso no Museu de Arte Moderna, Nova York, em 1939, lhe deixou muito impressionado. Uma série de pinturas sobre animais violentos em meados dos anos quarenta tinham suas raízes na arte popular mexicana, porém não deixavam de refletir as preocupações ocasionadas pela Segunda Guerra Mundial. Pintou um mural no Smith College Northampton, Massachusetts, em 1943. Estabeleceu o Taller Tamayo na escola de arte do Museu do Brooklin em 1946. Sua exposição retrospectiva de 1948 no Palacio de Bellas Artes, Cidade de México, foi atacada na Imprensa por David Alfaro Siqueiros, por seu alto grau de abstração. Ao final dos anos quarenta e começo dos cinqüenta, pintou uma série de quadros em que figuras humanas se enfrentam com infinitos espaços celestiais.
Jogos para Crianças, 1959
Se mudou a Paris em 1949. Expôs na Bienal de Veneza desse ano e na de 1968. Expôs no Instituto de Arte Moderna de Buenos Aires em 1951. No ano seguinte realizou um mural no Palácio de Belas Artes, Cidade de México. Expôs nas Bienais de São Paulo de 1953 e 1977. Realizou outro mural, já no edifício da UNESCO em Paris, em 1958. Nos anos cinqüenta suas figuras eram mais planas e esquemáticas ao tempo que suas cores tendiam a explorar as intensas harmonias de um só tom.

Voltou ao México em 1964 e pintou um mural no novo Museu Nacional de Antropologia na Cidade do México. Celebraram-se exposições retrospectivas de sua obra no Palácio de Belas Artes da capital do México em 1967 e 1987, no Phoenix Art Museum em 1968 e esse mesmo ano, no National Museum de Art de Belgrrado. Em 1973 começou a trabalhar em mixografia, uma técnica nova de gravar em relevo. No ano seguinte duou sua coleção de arte pré-colombiana à cidade de Oaxaca, como fundo para o Museu de Arte Prehispânico do México “Rufino Tamayo”. Havia exposto no Museu de Arte Moderna de Ville de Paris, 1974; no Museu de Arte Moderna da Cidade do México, no Museum of Modern Art, Tóquio, 1976; na Fundação Museu de Bellas Artes, Caracas, 1977; no The Phillips Collection, Washington, D.C., 1978; e no The Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, 1979. No Museu de Arte Contemporânea Internacional “Rufino Tamayo” se inaugurou em 1981 na Cidade do México, celebraram ali uma exposição retrospectiva da obra deste artista em 1987, e outra no Museu Nacional Centro de Art Reina Sofia de Madrid em 1988.

Rufino Tamayo reviveu poeticamente, com o ardor de uma íntegra e aguda imaginação, as misteriosas divindades, os guerreiros, os ecos noturnos, os músicos, as sombras de homens e lugares da sua terra, exprimindo sobretudo uma imensa solidão, como se caísse sobre os domínios e sobre os soberanos do Povo do Sol a treva de uma desesperada melancolia.


Tamayo continuou trabalhando até os últimos dias de sua vida, vindo a falecer em 24 de junho de 1991 de um ataque cardíaco, na Cidade do México.

Referências:
SULLIVAN, Edward J. Madrid. Artistas Latino-Americanos del Siglo XX. Ed. Nerea, 1992.
ROBLES, Luiz G.; FEZZI, Elda. Pintores Americanos. In: Galeria Delta da Pintura Universal. Rio de Janeiro: Ed. Delta S.A., 1972


Esta postagem é continuação de

Sobre o autor: Raul Campani é artista plástico pós-graduado em Gestão Cultural. Flerta com a música, gosta de filosofia, aficionado em genealogia e trabalha como economiário.YouTube|Facebook|Instagram

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