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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Antonio José Campani

Cento e dezenove anos do seu nascimento e quarenta e sete de falecimento.

Resumo de sua vida, por Carlos Antonio Campani


Antonio José Campani, nasceu na cidade de Porto Alegre, em 30 de maio de 1892 e faleceu em 8 de agosto de 1964, na cidade de Pareci Novo.

Casou com a jovem Anna Sybilla Junges, com a qual teve 5 filhos: Luiz Germano, Gertrudes Rosina, Ilse Brinilde, Paulo ( que faleceu com 30 dias de vida) e Carlos Antonio. Permanecendo ainda vivos : Gertrudes, Ilse e Carlos.




Vida Profissional

Iniciou suas atividades no comércio como aprendiz, naquele tempo chamado de “corneta” ou “vassoura”, ou “balconista”, hoje de comerciário, isto no ano de 1906, na firma Carlos Naschold, em Porto Alegre, ganhando cinco mil réis como ordenado, hoje seria um salário mínimo.

Em 1912 foi promovido pela mesma firma a caixeiro-viajante, hoje representante comercial, percorrendo no lombo de burro os municípios de São Leopoldo, Montenegro, São Sebastião do Caí, hoje, seriam os seguintes municípios: Nova Petrópolis, Nova Palmira, Linha Nova, Feliz, Vale Real,São José do Hortêncio, Ivoti, Picada Café, Nova Hartz, Morro Reuter, Novo Hamburgo,São José do Hortêncio, Bom Princípio, Tupandi, Harmonia, Pareci Novo etc., tendo o seu ordenado sido estipulado em Cr$ 80,00, seria hoje, um salário mínimo e meio, e em novembro do mesmo ano, casou  com  D. Anna Sybila  (Junges) Campani, passando então seu ordenado para Cr$ 150,00, hoje seriam dois salários mínimos. Para os curiosos: Toda sua mobília custou Cr$ 700,00.

Naquela primeira viagem pelo município de Caí, ele seguiu a trilha de seu falecido pai:  Ludwig Alois Campani, conhecido por Luiz Campani, que em 1897, viajando para a firma Bernardo Wahrlich  morreu afogado ao atravessar o rio Caí,  na localidade denominada  “Kanderbach” na vila  de Vila de Feliz, hoje Feliz.

Em 1918, tendo liquidado a firma Naschold, em virtude da Primeira Guerra mundial, recebeu convite da conceituada firma Sperb, Felipe & Cia., para representar a mesma como caixeiro viajante, nos municípios já mencionados, mais: Dois Irmãos, Taquara, Gramado, Canela  e São Francisco de Paula, o que fez durante 29 anos.

Pioneiro na Importação de Sementes de Flores e Hortaliças

Em 18 de dezembro de 1924, fez a primeira importação de sementes de hortaliças da Alemanha, comprando da firma F.C. Heinemann, da cidade de Erfurt. O valor da fatura foi de G.M 77,00, ( Marco alemão), para pagamento em prestações. Sendo a primeira no valor de $18,43.
A firma Sementes Campani Ltda, foi extinta no ano de 1970.

Deputado estadual constituinte

No ano de 1946, foi convidado pelo senhor Dr. Cilon Rosa para ser candidato à Deputado Estadual Constituinte pelo Partido Social Democrático (PSD) . Eleito, assumiu a sua cadeira na Assembléia Constituinte, tendo exercido seu mandato até o ano de 1950.

Como Deputado Estadual proferiu um discurso no dia 1º de abril  de 1947, o qual teve muita repercussão no meio político e na imprensa. Trascrevemos  o artigo escrito pelo  anônimo “ Um Observador Parlamentar” no jornal: A Nação, em data de 2º de Abril de 1947. O titulo do artigo é o seguinte: “Um agitado 1º de abril...”

O articulista fez menção sobre outros deputados e depois escreve sobre o Deputado Antonio José Campani: A nota do dia porém, assinalou o deputado Antonio José Campani, que com o senhor Ataliba Paz, forma o contraste físico da Assembléia.


Filho de colono, o deputado Campani falou na própria linguagem do colono. Impressionou profundamente pela pureza dos conceitos, pela maneira humana e prática como expôs os problemas da colônia, revelando a sua perfeita identificação com o meio, uma verdadeira higiene mental. Não era o representante da colônia, senão o próprio colono, inteligente, trabalhador, patriota, religioso e sofredor que ali estava falando da tribuna parlamentar, este colono que não quer 8 horas de trabalho e não faz dissídio coletivo, que arrosta sozinho e conformado às conseqüências da seca e das geadas , das chuvas e dos ventos e cuja tenacidade faz renascer a esperança na volta à terra dadivosa tão pronto se complete o ciclo da tragédia.


Seu discurso foi inteiramente improvisado, naquele augusto recinto, pela sua singeleza, pela sinceridade e sobretudo, porque ela se constituiu numa verdadeira fotografia sem retoques da vida e dos problemas das nossas populações coloniais.


Sociedade União Popular

Em 1940, num congresso católico em Cerro Largo, na presença de mais de 10 mil colonos foi eleito Vice-presidente da Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul, fundação do benemérito e saudoso padre Theodoro  Amstad S.J.,  tendo nessa ocasião assumido, como Vice-presidente a direção do Hospital Sagrada Família, na cidade de Caí.  Em 1942 foi eleito Presidente da mesma entidade, tendo encontrado uma dívida de cerca de 11 milhões de cruzeiros. Durante o seu mandato, construiu, na cidade de Caí, anexo ao hospital um asilo para a velhice desamparada, além de outras construções, compra de equipamentos como RX, implantação da lavanderia, cozinha e a modernização do complexo hospitalar, tudo avaliado em mais de dois milhões de cruzeiros, deixando a presidência da Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul em 1957, depois de haver pago todas as dívidas, ficando com um superávit de cerca de 22 milhões de cruzeiros em terras e moeda corrente.

Cooperativismo

Em 1923 foi um dos fundadores da Cooperativa de Fruticultores Montenegrina Ltda, com sede em Pareci Novo, sob sua liderança foi construído um prédio para o beneficiamento de laranjas. Na interventoria do então General Flores da Cunha recebeu a maquinaria necessária para aquele estabelecimento.

As duas únicas homenagens que recebeu, uma em São Sebastião do Caí, foi quando inauguraram uma sala com o seu nome. Iniciativa do Prefeito Municipal senhor Egon Schneck. A segunda em Pareci Novo no governo do primeiro prefeito do município, uma rua com o seu nome.

Cia de Teatro

Em suas viagens pelo interior do Estado ainda encontrava tempo para incentivar a cultivar a arte dramática. As pessoas com mais idade devem estar lembrando os velhos amadores dos grupos teatrais das cidades de Taquara, São Leopoldo, Hamburgo Velho, Montenegro, São Sebastião do Caí e Pareci Novo.

Numa viagem, Campani distribuía os papéis; na outra, fazia o primeiro ensaio e na terceira, então era levada à cena a peça, sempre com sucesso.

Nessas viagens pelo interior do Estado, constantemente era companheiro do saudoso padre Theodoro Amstad. S.J., tendo assistido inúmeras reuniões que aquele padre fazia, muitas vezes sob uma árvore ou em qualquer outro lugar, entre os colonos, dando-lhes instrução agrícola, fundando cooperativas, distribuindo sementes e ao mesmo tempo exercendo sua missão de sacerdote.

Com esses ensinamentos, pois já em 1912 Campani era inscrito como sócio da Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul pelo próprio padre Amstad S.J., compreendeu. Viu e sentiu o abandono em que se encontrava nosso pequeno agricultor, a quem tudo faltava inclusive estradas, que eles mesmos construíram com inauditos esforços e sacrifícios, além de suas próprias escolas paroquiais, de onde saíram grandes vocações sacerdotais e que durante a segunda guerra mundial foram fechadas, porque a maioria falava em alemão, não sabendo falar corretamente o idioma brasileiro.

Sobre o autor: Raul Campani é artista plástico pós-graduado em Gestão Cultural. Flerta com a música, gosta de filosofia, aficionado em genealogia e trabalha como economiário.YouTube|Facebook|Instagram

Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Tio, muito grata por esses registros do vô, e ao Raul por postá-los. Apesar de conhecer o histórico geral, esse registro contém muitos detalhes que não conhecia e fica registrado para que meus filhos e outros descendentes possam compartilhar. Para mim foi emocionante.

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  2. Apesar do vô ter falecido quando eu tinha 8 anos, eu me lembro muito bem dele, das muitas vezes que fomos ao Pareci, dos churrasquinhos ali atrás perto do rio (bela vista), dos passeios de caíque (que coragem do tio e do pai de levar tanta meninada num barco só - pra nós era uma maravilha!). Lembro da casa das sementes, dos ensaios que o vô fazia com a Izabel e depois de suas apresentações para a família (sob direção do vô). Lembro da noite em que deram a notícia de que ele falecido e lembro da viagem daquela noite até o Pareci. No dia seguinte quando saímos para a igreja levei um susto, nunca tinha visto tanta gente no Pareci. Depois é que soube que era por causa do enterro do vô.

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