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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Homem e a Natureza em "A Alegria de Viver" de Matisse

Esboço para Alegria de Viver, Matisse, 1905

"Quando falamos sobre a natureza, não podemos esquecer que fazemos parte dela e que devemos considerar a nós mesmos com a mesma atenção e sinceridade com que estudamos uma árvore, um céu ou uma idéia. Visto que há uma relação entre nós e o restante do universo, podemos descobri-la e depois não mais tentar superá-la."

(Henri Matisse, La Phalange, dez/1907)



Estudo para Alegria de Viver
Cada vez mais temos nos afastado da natureza, se esquecendo que somos parte integrante dela, e como conseqüência, estamos vendo o resultado do desequilíbrio constante neste organismo chamado planeta Terra. Além disso, esse distanciamento nos transforma em seres frios como o concreto que nos rodeia e nos aprisiona.

Atualmente temos visto vários incentivos, propagandas e se fala muito sobre a preocupação com a natureza, mas até onde essas preocupações não são apenas jogadas de marketing ou uma moda passageira? Espero que não, porque sabemos que quem vai sofrer as conseqüências no final das contas somos nós mesmos e, por sinal, já estamos sofrendo.

Mas esta preocupação não é de hoje, pois este afastamento é de longa data e a arte tem cumprido um papel importante nesta reflexão. Alguns artistas têm como tema esta questão em suas obras. Na pintura A Alegria de Viver, Matisse (1869-1954) propôs uma visão de como seria o mundo onde esta união entre homem e natureza estaria plena. Uma visão do ideal, como nas obras clássicas, mas agora sem os cânones estabelecidos pelo classicismo.

Conforme Argan (1992), "La joie de vivre, de Matisse (1905-6), pretende ser uma imagem mítica do mundo, como se gostaria que ele fosse: uma idade de ouro em que não há distinção entre os seres humanos e a natureza, tudo se comunica e se associa, as pessoas se movem livres como se feitas de ar, a única lei é a harmonia universal, o amor."

A Alegria de Viver ou La joie de vivre (1905-6), Óleo sobre tela, 174 x 238 cm, Barnes Foundation
Na obra La Joie de Vivre, Matisse retoma a busca do mitologismo primitivo de Gauguin, ao mesmo tempo em que mistura isso com o tema clássico de As grandes banhistas, de Cézanne, porém eliminando a profundidade espacial ainda existente neste.

Vejo esta pintura como uma expressão da alegria de viver em um mundo utópico, de um sonho revelado através das cores vivas e plenas, linhas coloridas e dançantes. A imagem no centro da tela com as figuras dançando em roda já revela um tema que Matisse irá trabalhar alguns anos depois com A Dança (1909).

Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo: Companhia da Letras, 1992
ESSERS, Volkmar. Matisse. Germany: Benedikt Taschen, 1993
FOURCADE, Dominique. Matisse - Escritos e Reflexões sobre Artes. São Paulo: Cosac Naify, 2007

Sobre o autor: Raul Campani é artista plástico pós-graduado em Gestão Cultural. Flerta com a música, gosta de filosofia, aficionado em genealogia e trabalha como economiário.YouTube|Facebook|Instagram

Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Olá Raul!!!

    Lendo com mais calma e atenção este post, pensando bem, se Matisse ainda estivesse vivo ele iria pintar um quadro negro da natureza pois do jeito que os homens estão destruindo o planeta está cada vez mais distante a esperança de viver em um mundo melhor, mas como sou otimista quero crer que nem tudo é tão ruim assim. Pelo menos a arte é uma forma de cultura para questionamentos e debates inteligentes.
    Bom fim de semana!!!
    Bjus
    Bia :)

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  3. O amor é uma fonte re/generadora do ser humano e realmente deve ser extendida em sua relação com a natureza! Gostei da postagem, abraço!

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