Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O Período Helenístico

A Vitória de Samotrácia, no museu do Louvre
Em 334 a.c., Alexandre Magno atravessa o Helesponto, da Europa para a Ásia, e o mundo deixa de ser o que era. Faz uma viagem inacreditável, esgotante, na qual o seu exército chega, a certa altura, a cobrir 600 km em dez dias.

Onze anos depois, morreu, com trinta e três anos, e naquele momento, todo o Império Persa era agora Macedônico. Mas Alexandre não realizou apenas um turbilhão de conquistas; onde quer que chegasse, consolidou as conquistas, fundando, cuidadosamente, cidades gregas, algumas das quais, nomeadamente Alexandria, no Egito, conservam ainda hoje os nomes que ele lhes deu.

Quando da morte de Alexandre, os gregos da metrópole contemplavam um império que se estendia do Adriático ao Indo, e do Cáspio ao Alto Egito. Nesse período, deram-se mudanças consideráveis. A Grécia clássica estava acabando, e consequentemente, a vida tinha uma forma e significados inteiramente diferentes.

Em vista da queda tão súbita de todo um sistema político, naturalmente procuramos uma explicação. Não é muito difícil ver, antes de mais nada, uma causa imediata: o esgotamento material e espiritual a que um século ou mais de contínua guerra tinha levado a Grécia. As coisas não podiam continuar assim; a cidade-estado já não podia proporcionar condições toleráveis de vida.

A Atenas do século quarto dá a impressão de uma letargia política, quase de indiferença; os homens estavam interessados noutras coisas, que não na Pólis e, a não ser no último dia, dia fatal, os atenienses não atuaram de acordo com seu grande nome - e então já era tarde demais. O contraste entre as duas épocas é muito profundo. Não se trata apenas do esgotamento proveniente da longa guerra do Peloponeso. Atenas, no século quarto, estava cheia de atividade e de iniciativa, porém em outras direções. Não se pode atribuir a mudança a uma simples prostração. Nem a simples reação contra a vigorosa vida política do século quinto.

O que encontramos no século quarto é uma mudança permanente no temperamento do povo: a emergência de uma atitude diferente para com a vida. No século quarto, há mais individualismo. Podemos vê-lo para onde quer que olhemos - na arte, na filosofia, na vida. A escultura por exemplo, começa a ser introspectiva, a exprimir as características individuais com humores variáveis, ao invés de tentar exprimir o ideal ou universal. De fato começa a retratar homens, não o homem.

Alexandre morreu novo e não havia planos sucessórios. Um meio-irmão deficiente e um filho póstumo ambos sucumbem às ambições de outros. A extraordinária personalidade de Alexandre torna-se agora mais claramente visível do que no momento em que homens, que eram peões ao seu lado, se converteram em monarcas de direito. Nenhum homem sozinho podia conservar unido o seu Império. Talvez ele mesmo não fosse capaz de manter a unidade. Mas as fronteiras recuam. Os ambiciosos não se entendem durante muito tempo com pequenos domínios. E das lutas pela conquista do poder emergem novos reinos.

A idade helenística foi um período de movimento. As pessoas - ou, pelo menos, as pessoas que fazem a história pública - tinham uma curiosidade infinita. O exemplo de Alexandre, com a sua busca contínua de alguma coisa ainda não atingida, comunicou-se aos séculos que lhe seguiram.

Inquietação idêntica manifesta a arte. Os escultores apaixonam-se pelas composições complexas.

Grupo de Laocoonte, Fonte da imagem: Wikipédia
O Laocoonte é um exemplo de obra executada no período helenístico, sua composição é complexa e inspirada pela angústia. Plínio via-a como "uma obra superior a todas as que as artes da pintura e da escultura produziram". Miguel Ângelo estava presente quando a obra foi descoberta. Lessing tomou-a como ponto de partida para uma discussão sobre a teoria artística. Representa Laocoonte e os seus dois filhos enroscados por gigantescas serpentes. A obra lembra um templo grego, vertical, com um frontão triangular, embora o triângulo seja irregular. Possui ritmo perfeito, produzido especialmente, pelos anéis das serpentes, tão fortemente enroscados que parece impossível desenroscá-los. Duas das figuras movimentam-se para cima  e para baixo; a terceira para a direita, mas os corpos arqueados das serpentes mantêm o equilíbrio do conjunto. Não conhecemos pedra estática alguma que dê, como esta, ideia tão funda de tensão dinâmica e de energia.

Mais detalhes sobre esta obra, clique aqui.

Fontes:

FERGUSON, John. A Herança do Helenismo. Lisboa: Editorial Verbo, 1973.

KITTO, H. D. F. Os Gregos. Coimbra: Armênio Amado, 1970.

Sobre o autor: Raul Campani é artista plástico pós-graduado em Gestão Cultural. Flerta com a música, gosta de filosofia, aficionado em genealogia e trabalha como economiário.YouTube|Facebook|Instagram

Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Lindíssimo este encontro com o helenismo.
    Gostei muito e a Vitória de Samotrácia que está no Louvre é uma das minhas esculturas preferidas, Raul.
    Obrigada pela sua visita e comentário.
    Um abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esta escultura é muito linda mesmo.
      Eu soube que ela vai ser restaurada e o Museu do Louvre está lançando uma campanha pedindo ao público doações para financiar o restauro.
      Um abraço!

      Excluir