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segunda-feira, 14 de abril de 2014

O Teto da Capela Sistina


Julio II chama Michelangelo e exige dele uma grande tarefa: pintar a abóboda da Capela Sistina. São quarenta metros de comprimento por quatorze de largura.

O sepulcro de Julio II ficou por acabar quando o Papa interrompeu a atividade de Michelangelo na fase inicial do projeto para que ele fosse decorar a fresco o teto da Capela Sistina, contra a relutância do artista vencido meio por força, meio por adulação. Compelido pelo desejo de retomar o trabalho no túmulo, Michelangelo realizou o trabalho em quatro anos, 1508-12, produzindo uma obra-prima que fez época. É um imenso organismo com centenas de figuras distribuídas ritmicamente dentro da moldura arquitetônica pintada, cujas dimensões e, sobretudo, a avassaladora unidade interna minimizam os frescos anteriores. Na área central, subdividida por cinco pares de traves, encontram-se nove cenas do gênesis, desde A Criação do Mundo (no fundo da capela) até a Embriaguez de Noé. (1)

Michelangelo desenvolve na abóboda da Capela Sistina as imagens que os longos capítulos do Antigo Testamento lhe inspiram, desde a Criação ao dilúvio e ao ressurgimento da humanidade através da personagem de Noé. Enquadrando as cenas do Gênesis, encontram-se as Sibilas, os Profetas e esses atletas nus e soberbos que se tornaram célebres sob o nome de Ignudi. (2)

Em todas as épocas as cenas do Antigo Testamento inspiraram os artistas. Esculpidas nos pórticos das igrejas românicas ou nos vãos das portas das catedrais góticas, eles são um dos temas favoritos da Idade Média. Com o aparecimento da Renascença, embora percam o seu caráter estritamente religioso, e muitas vezes não sejam mais do que um pretexto para sábias composições, estudos de anatomia e audácias estilísticas, nem por isso deixam de atrair os astistas. (3)

Um dos temas fundamentais da arte de Michelangelo é a presença de Deus dos deuses, poder-se-ia dizer, pois no drama religioso que se desenrola na trama da sua obra, as personagens são herdeiras diretas da mitologia grega e latina e, apesar dos seus nomes, situam-se fora do cristianismo. Michelangelo ressuscita a antiguidade pagã no próprio núcleo deste imenso e esplêndido sonho cristão. (4)

Até maio de 1509, Michelangelo prepara cartões, pensa a abóboda, amontoa projetos. Em setembro desse mesmo ano, a primeira parte está terminada. Compreende ela: A Embriaguez de Noé, O Dilúvio, O Sacrifício de Noé e, dos lados Zacarias, Joel, A Sibila de Delfos, Isaias, a Sibila Eritreia, David, Judite, Os Triângulos dos Antepassados e os Ignudi correspondentes. Em setembro de 1510, a segunda parte é terminada por sua vez, com o Pecado Original, A Criação de Eva, Ezequiel, A Síbila de Cunes e também os Ignudi. Finalmente, em agosto de 1511, é terminada a terceira parte: As quatro últimas histórias, Daniel, A Sibila da Pérsia, A Sibila da Líbia, Jeremias, Jonas, Os Ignudi, e nos triângulos, além dos Antepassados, O Suplício de Amã e A Serpente de Bronze. Michelangelo consagra cinco painéis retangulares ao Gênesis e quatro ao pecado. Quanto à estrutura em Trompe l'oeil, ela divide a abóboda e o espaço em três partes: A primeira compreende os triângulos e os óculos, a segunda abriga os Profetas, as Sibilas e os Ignudis e, finalmente, a terceira é reservada às grandes cenas. Podemos ver nesta gradação de baixo para cima, encontrando-se a primeira parte na zona inferior, o símbolo dos degraus da existência. Também a composição tenta dar essa impressão de ascensão. Encontramos aqui claramente expressas as concepções platônicas de Michelangelo, que vê em Deus a ideia do homem e não o Ser transcendente. (5)

Referências Bibliográficas:
(1) JANSON, H. W. História da Arte. Lisboa: Gulbenkian, 1977.
(2) a (5) ARBOUR, Renée. Miguel Angelo. Lisboa: Verbo, 1973.

Sobre o autor: Raul Campani é artista plástico pós-graduado em Gestão Cultural. Flerta com a música, gosta de filosofia, aficionado em genealogia e trabalha como economiário.YouTube|Facebook|Instagram

Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. É maravilhoso esse teto!Aliás, por lá, verdadeiras maravilhas! abraços,chica

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  2. Um trabalho minucioso, não deve ter sido fácil pintar todo este imenso teto. As igrejas e catedrais possuem uma riqueza esplendida de obras de arte. Sempre bom aprender um pouco mais sobre arte aqui. Feliz Páscoa e bom feriadão Raul!
    Bjs

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