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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Agenda 21 da Cultura - Princípio 7

Vista para a Praça da Alfândega, em Porto Alegre
A construção da Agenda 21 das Cidades para a Cultura foi proposta por Porto Alegre e Barcelona durante a realização da I Reunião Pública Mundial
da Cultura, em setembro de 2002. Em janeiro de 2003, no III Fórum das Autoridades Locais pela Inclusão Social, ocorrido durante o III Fórum Social Mundial, também em Porto Alegre, essa proposta avançou e foi aprovada por 150 prefeitos e cerca de mil representantes de cidades presentes ao encontro.
Definiu-se que a cidade de Barcelona sediaria a apresentação e debate do conteúdo final desta agenda, durante o Fórum Universal das Culturas, ocorrido em 2004.


Link para o texto da Agenda 21 das Cidades para a Cultura, na íntegra:
Agenda 21 da Cultura

Vou me deter ao Princípio 7, que diz o seguinte:

As cidades e os espaços locais são ambientes privilegiados da elaboração cultural em constante evolução e constituem os âmbitos da diversidade criativa, onde a perspectiva do encontro de tudo aquilo que é diferente e distinto (procedências, visões, idades, gêneros, etnias e classes sociais) torna possível o desenvolvimento humano integral. O diálogo entre identidade e diversidade, indivíduo e coletividade, revela-se como a ferramenta necessária para garantir tanto uma cidadania cultural planetária, como a sobrevivência da diversidade linguística e o desenvolvimento das culturas.

Comentários sobre o princípio 7

A cidade é o local onde as pessoas estão próximas, então ela é o local mais apropriado para propor políticas culturais que incentivem essa maior aproximação entre as diversidades. Muitas vezes nós temos dificuldade de entender as individualidades, por isso seguidamente criamos clichês e generalizações.
Então temos na cidade a capacidade de criar mecanismos de aproximação com o outro, o diferente, pois a aproximação geográfica das pessoas e dos agentes culturais facilita essa tarefa. Quando conhecemos o outro, aquele que é diferente, tiramos aquela máscara existente e passamos a nos aproximar mais da realidade.
Os espaços culturais nas cidades, os espaços públicos e cada canto disponível urbano, com sua estética, seus aparatos, suas obras, praças, prédios, teatros, órgãos públicos, assembléias, câmaras, cada espaço pode se tornar meio de transformação dessa realidade cultural. Então é principalmente nessa aproximação da cidade que devem ser criadas políticas culturais, públicas ou particulares, capazes de cumprirem essa tarefa com mais efetividade, a aproximação derruba preconceitos.

Aproveito para citar aqui um trecho do Relatório Final da 1ª Conferência Municipal de Cultura do Rio de Janeiro:
“Assim, somos chamados a um compromisso político com a qualidade de vida das cidades, sua integração e convivência solidária. Isto não se consegue sem ação política da sociedade e de governos comprometidos com esses avanços.”¹
Desde a Polis, na Grécia antiga, os filósofos, políticos, etc., já se utilizavam dos espaços públicos para fazerem as suas manifestações.
A cidade é o espaço da realidade, é onde as coisas acontecem, onde as pessoas se encontram. Então a esfera municipal é a mais indicada a promover as manifestações culturais, pois é ela que está mais próxima do que está acontecendo. Porém não é só o poder público responsável por promover a cultura. Entidades de classe, associações, pessoas físicas, etc., também são agentes importantes nessa questão de utilizar a cultura como meio de desenvolvimento da cidadania e da paz.
O convívio entre as diferentes culturas, pode promover o desenvolvimento dessas mesmas culturas, através de suas miscigenações, transformações ou valorização da própria cultura e de suas origens, culturas de raízes profundas que são compartilhadas entre as demais, havendo um intercâmbio importante para a sua distribuição e manutenção para a posteridade. Principalmente quando isso é feito pelo caminho da paz, com soberania de todas as culturas, sem nenhuma tentando se sobrepor sobre a outra através da violência.

Para finalizar, coloco aqui um trecho, que também aborda esse assunto, de um texto referente ao Projeto “Arte e Desenvolvimento Cultural Local”, realizado no Instituto Polis, em São Paulo - 19 e 20 de novembro de 1998:
“O desenvolvimento cultural local é o processo pelo qual as comunidades locais, interagindo com o poder público, buscam afirmar sua cidadania cultural (acesso, criação, participação, informação), praticando valores sustentáveis e desenvolvendo o sentido de identidade e pertencimento. Nesse processo resgatam-se experiências, práticas, valores que dão à localidade a sua singularidade não se constituindo como simples continuidade dos processos culturais hegemônicos ou como prolongamento das grandes metrópoles ou dos valores transmitidos pela mídia.
A constituição deste cenário cultural local onde um conjunto de atores se movem é de vital importância para o desenvolvimento local entendido no sentido mais amplo. Pode-se dizer que resgatar a cultura local possibilita abrir nossos olhares e escutas para o desenvolvimento local com sustentabilidade e diversidade cultural.”²
Fontes:
¹1ª Conferência Municipal de Cultura do Rio de Janeiro
²Desenvolver-se com Arte - Projeto: Arte e Desenvolvimento Local

Sobre o autor: Raul Campani é artista plástico pós-graduado em Gestão Cultural. Flerta com a música, gosta de filosofia, aficionado em genealogia e trabalha como economiário.YouTube|Facebook|Instagram

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