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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Xul Solar

Un Yogui, 1932
Oscar Alejandro Schulz Solari nasceu em San Fernando, na Argentina, em 1887. Sua mãe era italiana e o pai Lituano de origem alemã. Estudou arquitetura na faculdade de engenharia de 1906 a 1907.
Saiu da Argentina, embarcando para Hong Kong em 1912, porém desembarcou em Londres. Viajou pela Inglaterra, França e Itália.
Começou a pintar em 1914. Dois anos mais tarde conheceu o pintor modernista Emílio Pettorutti em Milan. Assinava seus quadros "Xul Solar", utilizando correspondentes fonéticos dos sobrenomes dos pais.

Desde muito jovem, interessou-se por assuntos tão variados quanto religião, filosofia, a antroposofia de Rudolf Steiner, a cabala judaica, mitologias e astrologia. Na Europa estudou as ciências ocultas, religiões asiáticas e as técnicas da meditação. Já em 1919 estava criando obras que expressavam suas ânsias espirituais, a base de planos de cores vivas, formas e símbolos geométricos, figuras singelas e algumas vezes, palavras. Viveu em Monique de 1921 a 1923. Conheceu os futuristas italianos, porém bebeu das fontes de vários movimentos, como o cubista, expressionista e surrealista.

Voltou a Buenos Aires em 1924. Entrou no grupo Martin Fierro, uma agrupação de jovens pintores e escritores modernistas, que incluía, entre outros, Jorge Luis Borges e Emílio Pettoruti. O grupo se opunha ao estilo acadêmico e ao caráter conservador da cultura argentina. Solar colaborou na revista do grupo de mesmo nome, a qual ajudou a instaurar o modernismo na Argentina. Em suas aquarelas dos anos vinte, assimilou as convenções estilísticas da vanguarda européia, porém não sem perfilar um mundo próprio, com insinuações de culturas pré-colombianas. Nos trinta e quarenta criou paisagens e desenhos arquitetônicos fantásticos que dão fé de seus estudos de misticismo, teosofia e astrologia.

Além da figura humana estilizada, das arquiteturas e bandeiras, habitam suas obras, geralmente de pequeno porte, símbolos e signos, muitos deles esotéricos e arcaisantes, tais como estrelas, flechas, hieróglifos, números e letras.
Kon mil per prayn to yu, 1962
Pintor, aquarelista, compositor, inventor de jogos, Xul Solar foi, antes de tudo, um erudito, possuindo um saber enciclopédico. Segundo o depoimento de seus contemporâneos, falava e escrevia seis idiomas vivos, além do latim, do grego e do sânscrito. Este vasto conhecimento lingüístico levou-o a criar línguas, como o neo criollo, fundado em raízes provenientes do latim, com expressões locais, latino-americanas, e o pan língua que pode ser vista como uma das muitas construções similares ao esperanto.  Em suas últimas obras procurou dar forma visual a estes sistemas línguísticos.
"Soy creador de una lengua para la América Latina: el neo-criollo con palabras, sílabas, raíces de las dos lenguas dominantes: el castellano y el portugués." Xul Solar
Em 09 de abril de 1963 morreu em sua casa na cidade de Tigre, na Argentina.

Xul Solar foi o artista homenageado pela I Bienal de Artes Visuais do Mercosul, realizada em Porto Alegre em 1997, e a logomarca da Bienal foi a reprodução de um elemento da obra Drago.

Referências:
SULLIVAN, Edward J. Madrid. Artistas Latino-Americanos del Siglo XX. Ed. Nerea, 1992.
CONTINENTE SUL SUR, Revista do Instituto Estadual do Livro nº 6 - 1997


Esta postagem é continuação de Três Artistas Latino-Americanos
E continua em Roberto Matta

Mais informações e reproduções de obras do artista, veja no Museo Xul Solar.

Sobre o autor: Raul Campani é artista plástico pós-graduado em Gestão Cultural. Flerta com a música, gosta de filosofia, aficionado em genealogia e trabalha como economiário.YouTube|Facebook|Instagram

Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. Interessante biografia. O nome, também artístico, chama a atenção. Não conhecia Xul Solar. obrigada, por trazê-lo . Aprendo um bocado, aqui...

    Um abraço, Campani,
    da Lúcia

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  2. Raul,
    Mais novidades para mim. Thanks! Adorei a segunda tela. Vou ter que procurar mais trabalhos. Decididamente é o meu mestre de pintura sul americana. Graças! :)
    Sim, era "Ser ou Não Ser", é belíssima essa pintura. Parabéns! :)
    Abraço!:)

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  3. Uma pintura muito original.
    Não é das minhas favoritas, mas tem o seu encanto, com os símbolos.
    beijo.

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