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sábado, 26 de março de 2011

Segunda Viagem ao Taiti

Faa Iheihe, 1898 - Paul Gauguin
Esta é a continuação de:

1 - Paul Gauguin, Fuga ou Encontro
2 - Gauguin, O Princípio de Uma Lenda
3 - Gauguin Começa a Pintar
4 - Primeira Viagem ao Taiti


Depois de ter passado algumas semanas em Papeete, Gauguin estabelece-se em Pounaduia.

Novamente as ligações com a metrópole se distanciam. Os empréstimos feitos na França não são devolvidos,  os  comerciantes  de  artes  e vários intermediários  não  cumprem  suas promessas.

Em 1896 a situação se agrava em todos os campos, o desacordo com Mette, toma-se irremediável, sua saúde piora cada vez mais, a falta de dinheiro torna-se uma obsessão.

Em julho, Gauguin é hospitalizado, saindo em agosto.

Mas não se desencoraja e em janeiro de 1897 recebe dinheiro das dívidas. Mas em março recebe a notícia de que sua filha Aline morreu em Copenhague. Nessa mesma época deve mudar-se, comprar um terreno, construir uma casa, para isso consegue junto à Caixa Agrícola um empréstimo de mil francos, o dinheiro logo acaba. Durante alguns meses fica desesperado, doente e sem dinheiro. Gauguin tenta suicidar-se, toma arsênico, mas não obtém o resultado desejado.

Antes da tentativa de suicídio, Gauguin havia feito a sua maior obra, um tela de 3,75 x l,40m. Esta obra chama-se "De onde viemos, o que somos, para onde vamos? "... Antes de morrer, quis pintar uma grande tela que tinha em mente e, durante todo mês, trabalhei febrilmente dia e noite...Ai coloquei toda minha energia, uma tal paixão dolorosa em circunstâncias terríveis e uma visão tão clara, sem correções, que o tema desapareceu e nasceu a vida..."

Em 1898, Gauguin faz um novo trabalho nas mesmas proporções: "Faa Iheihe" (Pastorais para os preparativos de festa), esta obra acha-se em total oposição a anterior, pois mostra uma certa serenidade, uma comunhão com a natureza.

Os elementos de "De onde viemos, o que somos, para onde vamos?" são extraídos de trabalhos anteriores a este e os de “Faa Inheihe" encontram-se em quadros posteriores. Podemos, portanto, considerar o primeiro trabalho como um fecho, uma conclusão de tudo que o precede e o outro como um nascimento, um esboço que mostra o germe daquilo que virá depois.

Gauguin arruma um emprego nos escritórios administrativos de Taiti. Graças ao que ganha no emprego e com alguma coisa que chega de França em agosto atinge o equilíbrio.

Na França, Vollaro interessa-se cada vez mais por Gauguin que lhe envia muitas de suas obras. Em princípios de 1899, graças a novos fundos mandados de Daniel de Monfreid, Gauguin volta para casa.

Durante sua ausência, a casa e todas as suas coisas sofreram graves danos: "...Encontrei a cabana num estado péssimo. Os ratos destruíram o teto e consequentemente a chuva arruinou muita coisa. Toda uma série de desenhos importantes destruídos pelas baratas, que também destruíra uma grande tela inacabada..."

A partir deste período, Gauguin passa a se irritar com as mesquinharias diárias da vida colonial.

Seu temperamento combativo volta a manifestar-se. Torna-se colaborador do jornal Lês Guêpes, onde publica artigos contra a administração e os abusos dos quais ele é testemunha.

Em, agosto de 1889, funda o polémico jornal Le Sourire. Este é totalmente redigido, manuscrito e ilustrado por ele mesmo, e "impresso" num mimeógrafo.

As relações entre Gauguin e os comerciantes de arte tomam-se mais seguras e regulares, apesar das incertezas, dos mal-entendidos e das promessas não cumpridas. Vollaro pensa em propor-lhe um contrato. Bibesco, um novo colecionador parece muito interessado e pensa substituir Vollaro. Fayet, importante colecionador de Béziers, mostra-se entusiasta.

Todavia seu estado de saúde se agrava. Fica um ano sem trabalhar, e para atender o desejo de Fayet, começa a trabalhar em algumas esculturas. Em abril, planeja partir para as ilhas marquesas. A 7 de agosto, Gauguin vende a casa em Tounaduia e pouco depois embarca para as Marquesas. A 16 de setembro chega em Atuana, na ilha de Hiva-Ao. Compra um terreno no meio da vila, que pertencia ao bispo Martin. Constrói uma casa e vai morar em outubro.

Nesta vida primitiva, que agora é a sua, Gauguin sente-se finalmente à vontade e deixa se manifestar toda a sua solidariedade aos indígenas. Isto chega a tal ponto que logo entra em conflito com as autoridades locais. Primeiramente se choca com as autoridades religiosas. Choca-se sobretudo, com o bispo Martin, do qual discorda em tudo, desde a educação das crianças na escola cristã até seu comportamento pessoal e sua concepção de moral.

Em janeiro de 1903, um ciclone devasta a ilha.

Os conflitos tornam-se cada vez mais sérios. Gauguin incita os indígenas a não aceitarem as condições impostas pela igreja e pela administração civil. As coisas ficam tão sérias que, em março Gauguin é chamado a comparecer perante um tribunal por ter acusado um policial de contrabando. É condenado a pagar uma multa de mil francos e a três meses de prisão. Sua saúde piora cada vez mais. “Tinha as pernas muito inchadas e cheia de feridas, cobertas de eczemas", escreve o pastor Vernier a Charles Morice. "Não o vi durante uns dez dias...Voltei depois e o encontrei muito mal, queixando-se, na cama..." A 8 de maio: "...Encontrei Gauguin sem vida, com uma perna pendurada fora da cama, mas ainda quente...Paul Gauguin tinha morrido e tudo indica que tenha sucumbido a uma brusca parada do coração..."

O bispo logo chega: algumas de suas obras consideradas muito profanas são destruídas e é decidida a realização de funerais religiosos.

No mês de julho realiza-se em Atuana uma venda pública dos objetos que pertenceram ao pintor e, em setembro, organiza-se em Papeete uma venda de suas obras. Todas as recordações, todos os cadernos de esboços se dispersam.

OBS: Continua em: Leituras de Obras de Gauguin
Referências: Clique aqui

Sobre o autor: Raul Campani é artista plástico pós-graduado em Gestão Cultural. Flerta com a música, gosta de filosofia, aficionado em genealogia e trabalha como economiário.YouTube|Facebook|Instagram

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